Por vezes, me vejo a observar o comportamento humano alheio. Nestas ocasiões, tento entender o que há ali naquela atitude de natural e o que é absolutamente teatralizado.
Por vezes me vejo perguntando a mim mesmo o quanto - e quantos - nos sentimos desconectados com o mundo que interagimos. A ponto de em muitas ocasiões dizer e agir ou até mesmo pensar o que deve-se fazer e não o que é exatamente nosso.
Quantos de nós nos perdemos entre o nosso verdadeiro eu e o que parece que é nosso mais é, na realidade, os outros em nós. Uma ocupação. Uma invasão.
E por vezes, me questiono quantos dos que vejo a caminhar nas ruas num final de tarde ensolarado, a procurar promoções, sapatos, bolsas, fotografias são capazes de perceber o quanto somos peças de um grande quebra-cabeça, cujo os jogadores, montadores, não somos nós. Dito em outros termos, quantos de nós ao cumprir a rotina de um dia exaustivo de trabalho é capaz de sentir dentro de si a mais profunda e síncera sensação de não-pertencimento a sua própria vida. Ao que é, ao que o transformaram. A sua história, que não foi como lhe dizem: escrita por você mesmo.
Quantos dos que vejo, convivo, desconheço uma vez sequer em sua existência questionou: " Serei eu de outro lugar". "Seremos todos de outro planeta?" A pergunta que sempre me faço, refaço e nunca encontro saída é: esta sensação que me é tão familiar, e deve existir em outros...existe em todos os outros ou em apenas alguns outros...Será que é possível uma pessoa viver uma existência inteira sem nunca sentir ao menos por um brevíssimo instante a então mencionada estranheza de si próprio em sua própria biografia?
Gostaria de ter esta resposta. Saber se este sentimento é típico do ser humano ou se é privilégio ou sacrilégio de apenas algumas pobres mortais.

Excelente!!!. Cada vez melhor. Minha poeta da LUA Inspirada para 2010!!!. Bjos. TAMO. Minha ruiVInha...
ResponderExcluir