sábado, 26 de dezembro de 2009

Envelhecer

Depois de um longo dia de festas, algazarras, bicicleta, cama elástica e um maravilhoso bolo de amendoim, pensei que chegando a noite teria tanto cansaço que mal conseguiria esticar o lençol da cama antes de embarcar num sono profundíssimo. Tão esperado por nós em dias agitados como os de Natais e Anos Novos.


Entretanto, ao contrário do que previ continuei acordadíssima depois de horas a fio pronta para o ingressar no tal vestibular da morte. Nada de sono, nada de cansaço. Vivíssima!


Então, coloquei roupa na máquina de lavar, e enquanto ela fazia o que eu nunca gostaria e nem tentaria realizar (bendita modernidade!), liguei a televisão para me distrair. Assisti filme, estendi a roupa, choveu, troquei as roupas de lugar nos varais, depois de molhadas...que longa noite! Assisti a um show do Skank...ainda sem sono!


Desliguei a televisão julgando que talvez isto fizesse meu sono vir mais depressa. No ínterim do desligar e voltar a deitar-se, lembrei-me de uma cena, que havia presenciado alguns dias antes. Ao relembrar o que vi, pensei que talvez fosse ela a culpada da minha desinfeliz insônia! E que demora para acertar o que me perturbava naquele momento!


Eis a cena (tão comum, tão bizarra...ao mesmo tempo, tão marcante): meu avô tentando por longo tempo (quase a tarde inteira) descobrir como ligar e desligar o seu novo (presente de Natal) barbeador elétrico.


Depois de cansar-me de vê-lo não acertar o botão para desligar o felizardo aparelho, cansar-me de ouvir o barulho estridente do pobre infeliz a funcionar, resolvi ajudá-lo a encontrar o maldito botão! Em alguns segundos, o encontrei e dei fim ao som infernal. Dizendo duas ou três vezes seguidas como fazer para realizar tal empreitada. O feito aborvido.


Eu que aprendi mais, observando o modo como lidar com um simples instrumento de eliminar pêlos faciais, dei-me conta com muita clareza da tão dita e tão pouco compreendida: velhice!


Já não sei mais se a cena foi triste ou poética, de qualquer modo, pedagógica. De repente, reafirmei, confirmei o que sempre fingimos que sabemos o tempo todo: envelhecer é tarefa para deuses..ou pelo menos para quase deuses, não é para qualquer um!


A minha insônia se dava porque não conseguia esquecer o evento (embora não estivesse o tempo todo como cenário imediato de minha mente). Não conseguia parar de imaginar como pode ser viver em demasia, a ponto de se esquecer o que se aprendeu. Relembrei tudo isto porque ao passar o Natal em Itirapina vi outro idoso (minha avó paterna), sofrer dificuldades similares ao de meu avô.


Envelhecer é pedagógico! Observar um idoso pode ser angustiante e fascinante! Fascinante por ver o quanto o homem é muito e muito pouco ao mesmo tempo!

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Oi meu AMOR, gostei muito. Vamos envelhecer pedagógicamente juntos...?!!!. Bjos. AMOT, Seu Rigueto.

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