domingo, 4 de setembro de 2011

Modernidade e vida pública no Brasil

Ao que parece, por definição, é preciso criticar toda e qualquer forma de manifestação moderna ou pós-moderna, se é que tal conceito faz algum sentido. Digo isto porque há dois dias assisti a uma aula sobre o comportamento médio do brasileiro, nos termos de herança cultural, e percebi que não temos nada de moderno ou pós-moderno em nossa forma de conduzir-se publicamente.

Na realidade, não existe o sentido de público na mentalidade nacional. Nossos signos herdados dos povos ibéricos nos transformam em indíviduos - aliás, individualidade, que é uma construção bastante contemporânea, teoricamente não faz parte de nossos construtos culturais - voltados para a vida privada, sem sentido de esfera pública. Tanto que vivemos isolados nos espaços públicos, quando não, o vivenciamos como se estes fossem uma extensão de nosso universo doméstico. É por isto, que somos tão resistentes a formalidades e ao cumprimento de regras. Não temos educação para agir de acordo com os imperativos básicos de uma esfera externa ao mundo intimista.
Nestes termos, podemos dizer que falta nos fez os ingleses, em nossa formação nacional, e que achado desastroso este: um povo que não sabe viver para além de sua experiência familiar.

Um comentário:

  1. Oi, Vivian,

    Fazia tempo que não visitava seu blog. Gostei de seu comentário. Me fez lembrar de Carnavais, Malandros e Heróis, de Da Matta, mais especificamente do capítulo "Você sabe com quem está falando?".
    A diferença entre vocês dois é que ele atribui à herança ibérica o gosto brasileiro de atuar "pessoa" em detrimento do do "indívíduo". A "pessoa" seria a figura do espaço privado, da intimidade, do afrouxamento ou inexistência de regras e formalidade. E o índivíduo, a pessoa pública, que age sob regras formais, indispensável para construção de um Estado e sociedade modernos.

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