sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Mentes perigosas

Ontem terminei de ler o livro de Ana Beatriz Barbosa, Mentes perigosas. Triste comprovar que de fato existe um grupo de indivíduos, que não é tão pequeno como poderia ser, que é incorrigível. Grupo em que a sociedade não consegue adentrar e inserir-lhes caracteres que são humanamente esperados porque são predipostos.
Solidariedade, empatia, discernimento moral, ética. Amor.
Por que os céus permitiram que determinadas criaturas viessem a este mundo desprovidos de sentimentos tão comuns a todos nós? Não consigo aceitar que seja uma questão puramente genética. Pois se assim eu considerar, isto significaria a posteriori que todas as escabrosas maldades cometidas por estes seres por fim seriam perdoadas, esquecidas, diante dos tribunais divinos, uma vez que eles agem movidos por um imperativo biológico.
Neste caso, seria como se Deus escolhesse quem seriam maus e quem seriam bons, e portanto, humanos, antes mesmo de virmos para este mundo. Escolheria a partir de opções genéticas...
Prefiro acreditar, tentando unir ciência e religião, que em algum momento da vida de tais pessoas, mesmo que seja numa fase bastante precoce, eles fizeram uma escolha deliberada, e ao mesmo tempo, inconsciente - mas nem por isso alheia aos julgamentos eternos - de serem o que são: emocionalmente nulos, psicopatas. Demoníacos.
Creio nisso, mas não defendo tal pensamento de modo ferrenho porque como costumam dizer alguns cristãos: entre os céus e a terra há mistérios que os homens desconhecem.
A questão que me faz pensar em tais hipóteses seria: quando pagarão de fato por todo mal que causaram a tantas pessoas? Não pode ser só as punições terrenas pois são falhas. Tem de ser uma sanção perfeita e justíssima!
Além disso, não posso aceitar passivamente a questão como biológica já que não julgo que nossos genes sejam mais poderosos que nossas escolhas e nossa consciência. O ser biológico que existe em nós traz um conjunto de possibilidades, e nunca de determinações - é o que penso como socióloga...Espero não estar cometendo nenhum excesso de sociologismo!