terça-feira, 14 de dezembro de 2010

E se um anjo lhe oferecesse um presente?

Hoje uma pessoa me fez a seguinte questão: Se um anjo lhe oferecesse um presente, você o aceitaria sem interrogações, mesmo sem saber o conteúdo do pacote? Ou você, antes de aceitá-lo, tentaria descobrir qual seria o tal presente?
Na realidade, no jogo, a dádiva vem embrulhada, o anjo não lhe diz uma palavra sequer e você só tem duas opções: recebê-lo sem a possibilidade de devolução ou recusá-lo para sempre, sem ter a menor chance de saber, depois de negá-lo, do que ele se tratava.
Na minha concepção, presente de anjo não se nega. Neste caso, eu o receberia de olhos fechados.
O problema é que a maior parte das pessoas não consegue dissociar as características de um anjo com a de um ser humano comum. Um anjo a princípio é um ser que já superou todos os vícios da carne, e que por conta disso, não comete mais nenhum dos erros típicos dos homens. Neste sentido, ele é incapaz de fazer qualquer mal a outrem. Ou seja, se uma criatura assim lhe oferecer qualquer coisa, e se o fato dele ser um anjo não é questionável, certamente tudo que advém dele é bom.
Mesmo que sua oferta lhe parece aos olhos carnais nada atrativo. Por exemplo, e se dentro deste pacote o anjo lhe trouxesse a morte? Isto é ruim? Ora, se é dado por um anjo obviamente não. A questão de peso, para se solucionar o enigma, não é: o que seria o presente? E sim, quem seria o ofertante?
O jogo da dádiva angelical parece algo inútil. Uma mera brincadeira, sem grandes significados. Entretanto, se bem analisada ela pode nos levar a profundas reflexões sobre a importância de perceber nossos problemas sob o ângulo correto. Inúmeras vezes, tentamos resolver questões cotidianos a partir de uma falsa percepção.
O melhor modo de diluir problemas é tentando analisá-lo sob diferentes ângulos, fugir rapidamente das imagens comuns, das percepções mais corriqueiras. Dito em outros termos, olhar com um olhar novo o que nos parece nítido. A vida é repleta de armadilhas, uma delas é a da aparente clareza das coisas e a aparente lucidez de nossos pensamentos. Questionar estes dois pontos constantemente não é paranoía, mas sabedoria.
Então, saiba que se um anjo lhe ofertar uma dádiva, mesmo que esta lhe custe a vida, aceite-a, porque um anjo possui a capacidade de tornar tudo que é ruim em bom, tudo que é desprezível em agradável, tudo que é triste em alegria. Pois se assim não fosse ele jamais seria um anjo... Tomara que um anjo lhe apareça um dia...

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Por que somos tão avessos ao silêncio?

Uma pergunta que costumo fazer a mim mesma e a alguns conhecidos é: por que as pessoas hoje em dia parecem ter aversão ao silêncio?
Se se entra dentro de um carro, a primeira providência a ser tomada é ligar o rádio. Especialmente, quando se está sozinho. Isto porque ficar sem barulho nenhum parece ser algo inpensável. Ou mesmo quando se está em casa, sozinho ou com pouca companhia, automaticamente se liga alguma coisa que mate o silêncio. A televisão, uma música.
O barulho traz a sensação de não-solidão? O silêncio mostra-se insuportável pois ele nos traz com força total a dura realidade de que somos, seremos, sempre, intensamente solitários? De que na hora mais precisa estaremos sozinhos porque no infinito universo que se chama eu só cabe um único espiríto, o meu? É bastante provável que sim!