quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Sobre as estrelas-do-mar

No último feriado fui a Santos e visitei o Aquário. Neste local, encontrei uma estrela-do-mar enterrada na areia dentro da água. A monitora do Aquário que nos passava instruções sobre os animais, disse que enterrar-se era uma das atividades preferidas da estrela-do-mar. Que o animal costumava passar o dia todo naquele estado e sair somente para alimentar-se.
Isto fez-me refletir sobre algumas ações humanas. A estrela-do-mar adora enterrar-se na areia, e ainda por cima, na areia que já estava dentro do próprio mar. Dentro d'água. Não é como enterrar-se na areia da praia com a cabeça para fora! Como às vezes, fazemos.
Saí de lá pensando, como é difícil entender e julgar o comportamento dos seres. Enterrar-se vivo, em qualquer lugar, menos ainda dentro da água, me parece a coisa mais tenebrosa que alguém pode realizar. No entanto, esta é a situação mais desejável e feliz para uma pobre estrela-do-mar! Nisto, imaginei que entre os seres humanos, a coisa se dá de modo um pouco semelhante, visto a imensa diversidade de preferências entre nós.
O que para mim pode ser a coisa mais infernal do mundo, para outra pode soar como o mais maravilhoso, o mais fantástico que se pode realizar ou imaginar. Então, é muito complicado seguir a norma: não faça aos outros o que você não gostaria que fizessem a você. Esta frase tem mais um caráter ético: o que eu julgo ruim, não vou permitir aos outros, do que propriamente um sentido de interesse real pelo bem-estar do próximo. Porque se fosse esta sua intenção, provavelmente, ela seria formulada assim: descubra o que seu próximo gostaria que você fizesse a ele, e faça, sem pensar se aquilo é ou não desejável a você!