domingo, 8 de novembro de 2009

Eis a Lua

Eis a lua
eu não a vejo
ela, porém, me vê
insistentemente

Passa a noite
e, de repente, nasce o sol
e, então,
e, só então,

Sinto saudades do que não pude ver

sábado, 7 de novembro de 2009

s/n

Queria quer menos
calar mais vezes o meu silêncio
com palavras

aquecer-me em cobertores coloridos
abraçar-me, cuidar-me
num instante triste

amo-me tanto, sem cessar
quero-me tanto, sem querer menos

todo o tempo
toda a hora

porque quanto mais cresço
a orfandade dilata
a solidão enfarta

todo o tempo
toda a hora

queria cada vez menos
calar-me
e mais vezes cortar
meu silêncio
com palavras